19 de jul. de 2010
Brasileiros desenvolvem método inédito para reciclagem de plástico
Testes realizados no Laboratório de Modelagem, Simulação e Controle de Processos da instituição mostraram que é possível criar resinas plásticas produzidas a partir do reaproveitamento de até 40% de material plástico já utilizado.
Polimerização em suspensão
O método escolhido pela equipe foi a reciclagem com produção in situ, que possibilita incorporar materiais plásticos usados a plásticos virgens no próprio ambiente da reação química.
Por meio da polimerização em suspensão, foram realizadas misturas moleculares de poliestireno reciclado e de poliestireno virgem, usando copos descartáveis.
"A técnica é simples. Basicamente dissolvemos o plástico usado numa solução com reagentes e depois adicionamos o material direto no reator para fazer mais plástico", diz o professor José Carlos Pinto, responsável pelo projeto.
Ao contrário de outras técnicas de reciclagem, como a mecânica, esse método mantém a qualidade do produto final, pois a adição de plásticos reciclados não interfere no andamento da reação química de polimerização.
"O plástico usado foi reincorporado como matéria-prima do processo sem grandes transformações químicas. As propriedades finais do produto são similares às propriedades dos polímeros não-reciclados", assinala.
Reciclagem de isopor
Além de copos descartáveis, a técnica pode ser empregada com outras famílias de materiais à base de poliestireno, de poliacrilatos, de polimetacrilatos e de poliacetatos, como aqueles utilizados para fabricar capas de CD, isopor, interiores de geladeira e carcaças de televisão, entre outros produtos.
"O próximo passo é testar a técnica com cargas de isopor recicladas. O isopor não é biodegradável, mas pode ser facilmente reciclado e utilizado para fabricar isopor novo", adianta José Carlos.
A Coppe já encaminhou ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) a solicitação de patente para a nova técnica, que poderia ser facilmente incorporada ao setor produtivo para uso em escala industrial, devido ao seu baixo custo. "Para as fábricas se adaptarem a essa tecnologia, precisariam apenas fazer pequenos ajustes, como adicionar na linha de produção um recipiente para misturar o plástico reciclado com os reagentes", explica.
Impactos da reciclagem do plástico
De acordo com o professor José Carlos Pinto, a reciclagem é a melhor resposta diante do debate sobre usar ou não usar o plástico. "A questão maior não é se devemos usar ou não o plástico, mas o que devemos fazer com ele depois do seu ciclo de uso", destaca o engenheiro químico, lembrando que o plástico deve ser tratado como uma matéria-prima potencialmente reutilizável, e não como lixo.
O professor ressalta os impactos ambientais positivos da transformação de plástico em plástico. "A reciclagem contribui para reduzir a quantidade de material descartado no meio ambiente, pois o utiliza como matéria-prima para produzir novos materiais plásticos. Ao ser reciclado, se economiza o petróleo que seria utilizado para fazer plástico novo e isso certamente contribui para a redução da emissão de carbono na atmosfera", diz.
A reciclagem do plástico também pode resultar em consideráveis impactos econômicos e sociais. "A reciclagem pode estimular a valorização econômica dos resíduos plásticos. Eles têm baixo valor agregado, apesar de serem derivados do petróleo, e por isso são facilmente descartados pela população", avalia. "Ela também pode gerar empregos por incentivar a coleta seletiva de plástico por cooperativas de catadores de lixo".
Plásticos
Plásticos são materiais formados pela união de grandes cadeias moleculares chamadas polímeros, que por sua vez são formadas por moléculas menores, chamadas monômeros.
Estima-se que no Brasil pelo menos 2,2 milhões de toneladas de plástico pós-consumo (descartados após o uso) se acumulam anualmente, segundo dados da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos - entidade que representa institucionalmente a cadeia produtiva do setor para divulgar a importância dos plásticos na vida moderna e promover sua utilização ambientalmente correta.
18 de jun. de 2010
Programa avalia desempenho de jogadores de futebol

Nota dos craques
Como a maioria dos torcedores, você acha que os melhores jogadores de futebol são os do seu time? E você sempre encontra razões para acreditar que o craque do time rival não é assim tão bom?
Agora você não precisará mais depender da opinião dos comentaristas e especialistas, eles próprios quase sempre torcedores e com suas próprias preferências, para aferir a sua própria.
Cientistas da Universidade de Northwestern, nos Estados Unidos, desenvolveram um programa de computador que mostrou-se capaz de fazer medições objetivas - não dependentes de opiniões - sobre o desempenho dos jogadores de futebol.
Estatísticas do futebol
O programa foi criado por Luis Amaral, um português que, apesar de ser professor de engenharia química e biológica, também é fã de futebol e sabe muito de estatística e programação de computadores.
Segundo ele, enquanto o basquete e o beisebol contam com uma enormidade de dados estatísticos para avaliar o desempenho individual dos jogadores, o futebol não dispõe desses facilitadores.
Para resolver o problema, Amaral e sua equipe debruçaram-se sobre todas as informações coletadas, partida por partida, durante a EuroCopa 2008.
Os dados foram revirados, cruzados e analisados, sempre comparados com os resultados efetivos tanto dos jogadores - gols, passos certos etc. - quanto do time - vitórias.
O mérito não está, obviamente, nos dados brutos, mas na metodologia utilizada para cruzá-los e identificar aqueles que dão informações significativas.
Notas por desempenho
O resultado do programa sai na forma de escores que colocam os diversos jogadores em termos de desempenho individual por posição. A técnica utilizada foi objetivo de um artigo publicado no último exemplar da revista científica PLoS One.
Mas faltava aferir os resultados do programa: até que ponto os escores baseados em estatísticas representam de fato o desempenho dos jogadores?
Para isso, os pesquisadores compararam seus resultados com a opinião demonstrada pelos especialistas - a imprensa especializada na cobertura do futebol e profissionais ligados ao esporte.
Os resultados do programa ficaram muitíssimo próximos das opiniões dos repórteres esportivos que cobriram os jogos, assim como de um grupo de especialistas, técnicos e dirigentes dos clubes que escolheram, subjetivamente, os jogadores que consideravam terem sido os melhores em cada partida e no torneio como um todo.
Desempenho de funcionários
Amaral afirma que esse tipo de análise pode ser usado fora do mundo do futebol. Por exemplo, as empresas poderiam usar o método para medir o desempenho dos funcionários que trabalham juntos em um projeto em equipe.
O trabalho com os dados do futebol é parte de um esforço maior para desenvolver métodos estatísticos transparentes e significativos para avaliar a produtividade de cientistas e instituições de pesquisas, assim como o impacto do seu trabalho.